ADP: Luna de Oliveira

em sábado, 29 de outubro de 2016 |

Olá, moça!
Primeiramente, gostaria de pedir desculpas pela demora. Tentei ser o mais rápida possível, pois sei que seu pedido está vagando no cronograma faz algum tempo. Confesso que tive certa dificuldade com seu pedido, pois seu resumo foi, de certa forma, vago. Mesmo assim, fiz o meu melhor e espero ter conseguido te ajudar com a sua personagem. Sem mais enrolação, vamos a sua avaliação:

1.    NOME – Eu sempre considero muito o significado dos nomes, embora sua maioria não tenha nada a ver com o personagem. Mas ao buscar pelo significado de sua escolha, de certa forma, ele me lembrou um pouco da sua personagem. Principalmente o ato de estar sempre buscando por atenção, ou algo do tipo, seja pelo seu talento ou buscando por coisas que deseja.
O único ponto que me deixou meio “é” com a sua escolha, foi mesmo o modo como o nome dela é escrito. Eu sei, existem muitas formas de se escrever determinados nomes e que você o faz como melhor desejar, mas creio que “Dafne” ou “Daphne” soe muito melhor que “Dafyni”, além de ficar mais bonito do ponto de vista estético da palavra.

2.    ASPECTOS FÍSICOS – Você descreveu a típica “garota perfeita”, e eu não tenho muito a acrescentar sobre isso. Lucy é perfeita para mim e se encaixa no que tem em mente para a personagem. Só peço que não a descreva de forma tão “perfeitinha”, fisicamente falando. É meio chato encontrar descrições que fazem da personagem uma verdadeira “deusa-grega” ou qualquer outro do gênero, entende?
                                     
3.    ASPECTOS PSICOLÓGICOS – Normalmente, essa é a parte que mais me toma tempo, contudo a sua personagem não me pareceu ser tão complexa/ter uma personalidade realmente diferenciada de metade das que circulam nesse meio. Mesmo assim, essa continua sendo a parte mais importante da avaliação para mim, e mesmo que você não tenha realmente explicado essa personalidade, vou tentar ao máximo ajudar com o pouco que me deu.
Primeiro de tudo: calma! Você não precisa criar uma personagem cheia de detalhes ou controversa de todas as demais, de todas as formas possíveis, não. Sua personagem pode sim ter uma personalidade simples e pouco diferente, desde que você desenvolva corretamente cada quesito dela.
“Ah, Kerm, não estou entendendo o que quer dizer!”, é simples e vou te explicar detalhadamente usando todas as características que me deu, como exemplo.
Você disse que sua personagem é muito vaidosa, sensível, emotiva e amiga. Até aí tudo bem. Mas são adjetivos que praticamente todos os personagens possuem, não é mesmo? Até os vilões são emotivos ou amigos em certos momentos. E é aí que quero chegar. Se até os “caras ruins” possuem essas características, você precisa modificá-las e adaptá-las a sua personagem de acordo com o que ela quer ou deseja, em todos os pontos possíveis e, inclusive, inimagináveis possíveis. Você precisa desenvolver cada uma dessas coisas de acordo com a personagem que tem em mente sem deixá-la superficial ou abstrata demais, entende? Não é porque sua personagem é vaidosa que ela não tenha seus momentos mais “simplórios”, considerando que, muitas vezes, mais vale um moletom e um cabelo meio bagunçado do que um vestido justo e uma make arrasadora, concorda? Isso tudo deve depender do humor da sua personagem, e você melhor que ninguém precisa entender esses estados de espíritos dela e fazer um bom uso deles. Uma outra coisa que também merece ser desenvolvida com maior atenção é o lado sensível e emotivo dela. E não, não é a mesma coisa. Ser sensível é completamente diferente de ser emotiva, pois, para mim, o último se dar por fases ou determinados momentos, e não constantemente, entende? Se emocionar com alguma situação específica, ficar comovida com o sofrimento alheio ou algo do tipo, é completamente diferente de se machucar ou ficar ferida com alguma coisa. Sensibilidade é algo ligado diretamente a si próprio, e emoção aos demais, entendeu? Quando alguém solta uma alfinetada, por exemplo, e você sente uma leve dor interna, para mim, isso é sensibilidade. Você se torna, de certa forma, vulnerável aos demais por isso, no caso, a sua personagem deverá ser mais “prejudicada” por isso e não por ser “emotiva”, digamos assim. E o lado emotivo seria o lado da empatia mesmo, de se comover ou ficar triste com algo que não está acontecendo diretamente com ela, mas com o outro. Sobre o seu lado mais “amigo”, honestamente, eu só consigo imaginá-la como aquela amiga “duas caras”, sacou? Do tipo que é companheira e até leal, por certo tempo, até ter conseguido o que realmente queria com tal pessoa. Como você mesma disse, ela é do tipo que faz de tudo para conseguir o que quer, e eu acredito que isso também se aplique quando falamos de amizade e interesses em comum, como um todo. Não estou dizendo que ela seria uma completa víbora, mas sim que ela poderia usar suas amigas para chegar até algo ou alguém, podendo até se arrepender, ou não, do que fez depois de certo tempo.

4.    CONCLUSÃO – No final de cada avaliação eu digo, basicamente, a mesma coisa: estude! Isso sempre irá ajudar tanto no desenvolvimento dos personagens, quanto no desenrolar da própria estória. Estude a fundo a sua ideia, busque as pontas soltas e trate logo de amarrá-las. Analise todos os acontecimentos e elementos que pretende inserir no seu enredo. E o mesmo digo sobre o modo como desenvolverá a trama, por completo. Lembre-se que você não poderá simplesmente colocar os cenários e desenrolar de qualquer jeito o seu ponto de vista diante daquilo. Você precisa de argumentos, porquês, razões e motivações que vão levar as coisas até tal ponto, e que façam os seus respectivos leitores não só comprarem a ideia, mas sim acreditarem nela. Entenda que personagens, sendo ou não baseados em uma saga, precisam ter um passado, um presente e um futuro. E tudo entre esses “três tempos” precisa ser explicado e ter sua devida continuação, seja se encaixando em futuros acontecimentos ou explicações passadas. É uma vida, ela tem princípio e fim, e tudo precisa fazer sentido durante tal período. Não é como se pudéssemos reconstruir ou inventar uma nova história a cada dia que se vive, não é mesmo? Sua personagem precisa de uma vida antes, outra durante e outra depois de tudo o que pretende fazer não só com ela, mas com a estória em si. Ela precisa de razões para estar onde está e precisa de motivos que a levem, ou não, a tal ponto. Seus leitores precisam de explicações para o porquê de ela agir como age, e o porquê de pensar daquela forma.
Procure refletir sobre tudo que lhe disse e, depois, pergunte-se se existe ou não um motivo para que aquilo aconteça. Pergunte-se se existe ou não relevância naquilo; se realmente precisa acontecer. Questione-se sobre a razão de certos pensamentos, ações e decisões de sua personagem; pergunte-se se é realmente necessário e se isso fará, ou não, alguma diferença. Seja fiel a personalidade que deu para ela e não a faça mudar seu modo de agir/pensar repentinamente. Caso isso aconteça, deve ocorrer lentamente; gradativamente. Algo que não seja tão perceptível, e que não deixe os seus novos atos “gritarem”, entende? Que o leitor perceba aos poucos e não de imediato. Tudo precisa de uma razão e você, como autora, precisa saber melhor do que qualquer um o motivo desses acontecimentos, ações, razões e pensamentos. Não perca, jamais, a essência dela e, se ainda não sabe de que natureza é essa, estude! Reconheça suas falhas e as conserte, mas pense também nos pontos fortes da sua história, as busque e às trabalhe a fundo, realmente. Se o fizer, garanto que terá resultados, no mínimo, satisfatórios.

E, antes que eu me esqueça, obrigada pela paciência *coração flechado*
XOXO’

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